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Processo de recaída

 

A mesma compreensão de alcoolismo e a mesma ênfase na abstinência, que suscitam a experiência ambivalente de recuperação, também levam a uma compreensão de recaída sustentada somente enquanto violação da abstinência. No máximo, encontram-se distinções entre o lapso (violação única) e a recaída propriamente dita (retorno ao padrão de uso) - distinção sustentada na racionalidade dos serviços que frequentaram, como hospitais, grupos de ajuda mútua e comunidades terapêuticas (Schneider, 2010). Os relatos dos entrevistados indicam que o reinício do consumo e a retomada do consumo intenso até o recrudescimento da síndrome de dependência deveriam ser entendidos como um processo, que pode ser muito curto (retorno imediato à dependência após a quebra da abstinência), como também pode ser longo e gradual, inclusive com períodos de manutenção de uso moderado, apesar de sua compreensão ser em termos absolutos (ou estão em sobriedade ou estão no que chamam de fase ativa).

A noção de processo de recaída reflete as afirmações dos alcoolistas acerca do caráter voluntário de suas ações nesse sentido, em que resolvem reiniciar o consumo sob diversas circunstâncias e a partir de diversas motivações, bem como resolvem interromper, manter ou aumentar o consumo também em função de variados fatores e circunstâncias. A principal vantagem dessa abordagem é escapar à noção restrita de recaída como violação de abstinência, em que o indivíduo sucumbe à força de impulsos que o levam, automaticamente, a um comportamento patológico.