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Habilidades Sociais

Habilidade social é o conjunto de comportamentos emitidos por uma pessoa em um contexto interpessoal que expressa sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos de um modo adequado à situação, respeitando os demais; busca resolver os problemas imediatos, com probabilidade de minimizar problemas futuros (Caballo, 2003). As habilidades sociais abrangem relações interpessoais, incluindo a assertividade (expressão apropriada de sentimentos negativos e defesa dos próprios direitos) e as habilidades de comunicação, de resolução de problemas interpessoais, de cooperação e de desempenhos interpessoais nas atividades profissionais (Bolsoni-Silva & Marturano, 2002). O sujeito possuiria habilidades sociais adequadas quando seu comportamento o permitisse agir de acordo com seus interesses mais importantes, defender-se sem ansiedade inapropriada, expressar de maneira adequada sentimentos honestos ou exercer os direitos pessoais sem negar os direitos de outrem (Caballo, 2003; Del Prete & Del Prete, 1996; Falcone, 1998). Entre as diferentes classes de comportamento típicas de um repertório social elaborado, é possível incluir: (a) iniciar e manter conversações; (b) falar em público; (c) fazer elogios; (d) pedir favores e aceitar uma resposta negativa; (e) aceitar elogios; (f) expressar sentimentos positivos e negativos; (g) defender os próprios direitos; (h) receber e fazer críticas; (i) admitir ignorância; (j) fazer acordos; (l) recusar pedidos; (m) desculpar-se; (n) expressar opiniões pessoais (Del Prete & Del Prete, 2001).

 

Conforme indica Caballo (2003), o surgimento do campo das habilidades sociais remonta os estudos com crianças, realizados nas décadas de 1930 a 1950 por autores como Lois M. Jack , Gardner Murphy, G. G. Thompson e H. M. Williams, entre outros. Zigler e Phillips (1960, citado por Caballo, 2003) efetuaram trabalhos sobre a competência social com adultos internos em instituições psiquiátricas, sugerindo que a maior competência social prévia dos pacientes reduz o tempo de internação e a taxa de recaídas. Deste modo, o nível de habilidades sociais desses indivíduos teria relação com seu prognóstico. Expressas como comportamentos necessários à relação interpessoal bem-sucedida, as habilidades sociais são fatores de proteção no curso do desenvolvimento humano (Murta, 2005).

 

Quando nos referimos ao desempenho socialmente aceito, devemos considerar as diferenças individuais, culturais e as diferentes situações em que este comportamento é esperado. No que diz respeito às diferenças individuais nas habilidades sociais, as pessoas interagem conforme sua história prévia (Bolsoni-Silva & Marturano, 2002). Além disso, elas não são igualmente habilidosas nas diferentes situações interpessoais e os desempenhos socialmente aprovados e valorizados podem variar bastante de uma cultura para outra. Os comportamentos sociais estão situados historicamente de acordo com as variações de cada cultura e suas subculturas. Adicionalmente, características sócio-demográficas específicas, como gênero e idade, têm sido consideradas, pois as diferenças de competência social de homens e mulheres ocorrem desde a infância (Gaffney et al., 1998).

 

A freqüência com que determinadas habilidades são emitidas pelos indivíduos de um grupo ou contexto social constitui um indicador dos comportamentos efetivos e valorizados nesses, o que pode ser tomado como referência para avaliar o ajuste ou afastamento de um indivíduo específico, das normas e da expectativa de seu grupo. Além disso, o grau de eficácia de um comportamento social dependerá do que se deseja conseguir em cada situação em que se encontra.

 

A construção de um repertório socialmente habilidoso pode ocorrer em interações nos contextos naturais sem treinamento formal, como no relacionamento entre pais e filhos ou entre pares na escola. No entanto, podem ocorrer falhas nesse processo de aprendizagem, ocasionando déficits relevantes no desenvolvimento de habilidades sociais (Murta, 2005). Programas de Treinamento em Habilidades Sociais são úteis para minimizar fatores de risco à saúde, incrementar fatores de proteção ao desenvolvimento humano, tratar problemas já instalados passíveis de remissão e reduzir o impacto de déficits graves em habilidades sociais entre pessoas portadoras de condições crônicas (Murta, 2005).

 

Em populações clínicas, é comum a expressão de queixas em termos de problemas de relacionamento interpessoal. Entre os pacientes que apresentam essas queixas – e seriam potencialmente beneficiados por algum tipo de treinamento em habilidades sociais –, estão aqueles com as seguintes condições: dificuldades de relacionamento com o gênero oposto, ansiedade social, depressão, sociopatias e quadros de dependência de substâncias psicoativas (Del Prete & Del Prete, 1996, 2001; Del Prete et al., 2004).

 

O Treinamento em Habilidades Sociais é realizado em duas etapas: avaliação e intervenção. A primeira é necessária para a avaliação de déficits e excessos comportamentais, respostas comportamentais, crenças distorcidas que estejam contribuindo para a não emissão de comportamentos socialmente habilidosos (Caballo, 2003; Del Prete & Del Prete, 1996; Savoia & Barros Neto, 2000). Dentre as técnicas a serem empregadas no Treinamento em Habilidades Sociais estão: fornecimento de instruções, ensaio comportamental, modelação, modelagem, feedback verbal, tarefas de casa, reestruturação cognitiva, solução de problemas e relaxamento. O treinamento pode ser realizado de forma individual ou em grupo, entretanto, a intervenção no campo das habilidades sociais é mais eficaz, apresentando maiores resultados quando administrada em grupo (Tran & Haaga, 2002; Savoia & Barros Neto, 2000).